23.7.06

FAZENDA

Se cada um escolhe o seu destino,
o meu eu escolhi com esperteza.
Não era pra ser dono de empresa,
nem padre, pai-de-santo nem rabino.

A vocação, que eu trago bem acesa,
surgiu em mim quando 'inda era menino:
levar a boa vida de grã-fino,
ganhando grana por baixo da mesa.

Considerando que o estudo humilha,
comprei diploma, já que estava à venda,
e me tornei orgulho da família.

Passei na prova pra fiscal de renda,
cheguei a chefe duma camarilha
que hoje toma conta da Fazenda.

2 Comments:

Blogger Leandro said...

Gostei de seus versos.
Espero que não pare por aqui.
Abraço
Leandro

8:05 AM  
Blogger Camarada Arcanjo said...

Adorei!

Estou colocando um link no meu blog para este aqui. A dica da CrissMyAss foi ótima.
Virei outras vezes.

Porque seria podre o poema?
Aqui nenhum soneto é podre,
podre é a realidade,
muito podre é o tema.

8:29 PM  

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